Série de reportagens sobre qualidade da água mineral 28/04/2003 a 02/05/2003

Repórter Madeleine Lacsko
Falta de uma lei que regulamente os galões de água mineral pode
prejudicar a qualidade até mesmo de grandes marcas A norma que padroniza os galões utilizados no comércio de água
mineral espera há anos para virar lei e, enquanto isso, cada empresa produz embalagens do tamanho mais conveniente. As diferenças estão em detalhes milimétricos, mas fundamentais para garantir a eficácia do processo de higienização. Desde 96, os empresários tiveram audiências com órgãos do governo tentando conseguir uma lei sobre o assunto, mas até agora tudo continua do mesmo jeito. A contaminação dos galões por agentes como poeira e bactérias causa problemas aos consumidores principalmente no verão. As principais reclamações são sobre presença de sujeira na água em embalagens fechadas - galões na maioria das vezes - e não existe uma marca específica com maior número de reclamações. Verificar as condições do galão é fundamental para não beber água contaminada com microorganismos que não são vistos a olho nu: é importante observar que o plástico do galão seja totalmente transparente - os foscos são mais baratos, mas não podem ser usados; e a boca deve formar um círculo perfeito, não podendo ser oval nem ter ondulações. Ouça.
Como e para quem reclamar em caso de problemas com água mineral
Até para reclamar de eventuais problemas com água mineral
o consumidor deve estar bem informado. Cada tipo de reclamação fica a cargo de um órgão específico. No caso de pontos de venda inadequados ou sem higiene, a denúncia deve ser feita a órgãos municipais. Já nos casos de problemas de qualidade ou de registro da empresa, como falta de rótulo e documentação, a reclamação deve ser encaminhada à Vigilância Sanitária do Estado. Quando a empresa é regularizada, o rótulo está em ordem, mas foi encontrada alguma sujeira na água, o caminho pode ser o Procon. A Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral (ABINAM) pretende lançar em outubro um selo de qualidade. Ele será obtido por quem passar em todos os testes desde a fonte até a distribuidora, passando pelo envasamento e transporte. Mas isso ainda depende da regulamentação da norma de padronização dos galões. Ouça.
Clandestinos aproveitam falta de fiscalização para montar esquemas
gigantescos de comercialização, principalmente, de galões Se o crescimento anual de 10 a 15% torna o mercado de água mineral
muito atraente para os empresários, também faz deste filão um alvo constante dos clandestinos. Aproveitando a falta de fiscalização, eles conseguem montar esquemas gigantescos de comercialização, principalmente, de galões. Alguns cuidados simples podem evitar que você compre água de clandestinos, produzida sem nenhuma garantia de qualidade ou higiene. Não compre galões sem rótulo ou sem a marca da empresa no lacre e desconfie de preços extremamente baixos. Galão de 20 litros de água mineral por menos de R$ 4 é motivo para desconfiar. Outra atitude importante é ler o rótulo e procurar informações sobre o fabricante. Para comprovar se a empresa é legalizada, é necessário ter em mãos todos os números de registro que constam do rótulo do galão de água. Então, basta ligar para a Associação dos Produtores, a ABINAM, no telefone (11) 3167-2008.
Conheça as principais causas da contaminação da água mineral
e como comprar com segurança Pegar o telefone com um conhecido e encomendar galões de
água mineral é o método mais usado pelos consumidores, mas há o risco de comprar água contaminada, ainda que seja de marca conhecida. Segundo o diretor de alimentos da Vigilância Sanitária, William César Latorre, as grandes empresas que trabalham com água mineral têm, geralmente, mais condições de fazer a assepsia dos galões, mas tudo o que foi feito na indústria pode ser posto a perder por estocagem inadequada. Por ser retornável, o galão passa por um processo delicado de limpeza, mas há o problema da contaminação no ponto de venda, conforme ressalta o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral, Ricardo Signorelli. Ouça Latorre e Signorelli, entrevistados pela repórter Madeleine Lacsko. Eles destacam que é necessário atenção ao transporte do produto e que a exposição ao sol prejudica a qualidade da água e dificulta a assepsia dos galões. Também há o problema dos clandestinos, que aproveitaram o crescimento do mercado para vender água em galões, muitas vezes, sem nenhuma condição de higiene.
Água mineral: 1 em cada 3 galões tem micróbios
Análises rotineiras comprovam que 1 em cada 3 galões de água mineral apresenta irregularidades,
na maioria das vezes, contaminação por bactérias. Em São Paulo, as amostras são colhidas nos pontos de venda e analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz. Os resultados revelam a presença de micróbios que podem causar doenças; entre os microorganismos mais encontrados estão os coliformes fecais. Ouça a notícia.
fONTE; jovempan.uol.com.br